A Lenda do Poço da Moura

O Poço da Moura não é apenas o sítio mais fundo do ribeiro de São João; é um lugar encantado e misterioso onde as águas sussurram um drama de amor. Diz a lenda que ali se afogou um jovem cristão na senda de uma paixão proibida. Enamorado por uma linda moura que acampava na margem oposta, atravessava todos os dias a difícil correnteza para se reunir com a manceba. Fazia-o em segredo para que as famílias de ambos, contrárias à relação, não se apercebessem dos encontros. Numa ocasião, decerto perturbado com a continuada hostilidade dos progenitores, ter-se-á distraído, acabando por sucumbir no pego. A moura, dominada pelo desespero, lançou-se ao ribeiro, jurando vingar-se das mortes inusitadas. Desde então, faz desaparecer qualquer pessoa incauta que mergulhe naquele local. Fabulação ou realidade, ainda hoje há quem receie nadar no belo, mas temeroso poço.

A Lenda do Cruzeiro da Portela

Diz a tradição que a cruz erigida na paisagem altaneira da Portela Grande, no caminho da antiga estrada real que desemboca na freguesia de Cunha, no concelho de Paredes de Coura, evoca um episódio de má memória. Conta-se que, certo dia, um brasileiro de torna-viagem, com fortuna amealhada em terras de Vera Cruz, tomou o alcantilado percurso da Labruja para alcançar Rubiães, povoação de origem situada no vicinal município courense. Desconhece-se se o trajeto se fez a pé ou de mula, mas sabe-se que levava um criado e o dinheiro que granjeara além-fronteiras. Imprevidente, confidenciou-lhe que transportava tudo o que tinha, rogando-lhe a máxima cautela, pois a zona que atravessavam oferecia riscos vários pela abundância de meliantes e de gente ociosa. Não veio o perigo de fora, mas do próprio servente que, aproveitando uma distração do patrão, assassinou-o, roubando-lhe de seguida a fortuna e fugindo para nunca mais ser visto. Encontrado o corpo do infeliz emigrante, os habitantes locais decidiram erguer uma cruz, no exato sítio do fatídico acontecimento, para que ninguém se olvidasse do triste fado do brasileiro de torna-viagem e da vileza do ganancioso criado.

A Lenda do Poço do Sino

No ribeiro de São João – lá para as bandas da Grova onde o curso de água cristalina nasce, perto da capela dedicada ao popular taumaturgo – há um poço “muito alto”. A sua existência, e o episódio associado, são mencionados nas páginas da Corografia Portuguesa do Pe. Carvalho da Costa, título de 1706, recontados na obra “Toponímia de Ponte de Lima,” com algumas variações, e confirmados pelas anciãs da aldeia. Vejamos então:

Diz a tradição que naquele pego jaz um sino antiquíssimo que se levava da capela de São João para a igreja.* Terá caído nas profundezas do poço quando os homens e o carro de bois que cuidavam do seu transporte resvalaram – julga-se – nos terrenos da encosta, desaparecendo para sempre, tragados pelo abismo. Segundo o povo, aquele que estivesse na graça de Deus ouvia à meia-noite o repique do sino.**


*O Pe. Carvalho da Costa refere que o dito sino seguia para um mosteiro ali perto.
**Há quem fale em mais do que uma campânula.

Fontes:

Lenda do Poço da Moura:

Junta de Freguesia da Labruja.

Lenda do Cruzeiro da Portela:

TRIÃES, Vitória da Conceição Brandão – Vovóteca: pontes imateriais no tempo [Em linha]. [Porto]: Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, 2010. [Consult. 1 out. 2025]. Disponível na Internet:< http://repositorio.esepf.pt/bitstream/20.500.11796/1066/2/PG-GA_Vovoteca.pdf>

CAMPELO, Álvaro – Património imaterial de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Município, 2007. ISBN 9789728846121

Lenda do Poço do Sino

COSTA, António Carvalho de – Corografia portugueza e descripçam topográfica do famoso Reyno de Portugal… [Em linha]. Lisboa: na oficina de Valentim da Costa Deslandes, 1706-1712. Tomo 1. [Consult. 2 dez. 2025]. Disponível na Internet:<purl.pt/434>

BAPTISTA, António José; FERNANDES, A. de Almeida – Toponímia de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Câmara Municipal, 2001. ISBN 972-98467-5-8

Informações transmitidas por Emília Meneses e Maria Nunes, moradoras na Labruja.

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